Resenha: Ciranda de pedra - Lygia Fagundes Telles - Um Remédio Chamado Ler

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7 de mar de 2018

Resenha: Ciranda de pedra - Lygia Fagundes Telles

224 páginas. Companhia Das Letras

Como se fora a brincadeira de roda
Memória!
Jogo do trabalho na dança das mãos
Macias!
O suor dos corpos na canção da vida
Histórias!
O suor da vida no calor de irmãos
Magia!
Redescobrir - Gonzaguinha. 

Redescobrir é um dos clássicos composto por Gonzaguinha e cantava pela grande Elis Regina na abertura da novela Ciranda de pedra (Rede Globo) de 2008, remake da novela dos anos 80, ambas baseada na obra homônima da Lygia. 

Na época da novela, eu comecei a ler o livro e por algum motivo, não cheguei a concluir. Passou-se muitos anos, e resolvi me aventurar pela literatura de uma das maiores escritoras brasileiras. 

E QUE LIVRO.

É um livro super introspectivo. Que fala entre outros assuntos, sobre círculos sociais que muita das vezes somos obrigados a nos enquadrar. A história é ambientada numa São Paulo, não datada. E contará a história de uma família que passa pelo processo de divórcio.

Escrito em terceira pessoa, a história narra a vida de Virgínia, em duas fase de sua vida. Na infância e durante sua juventude. O lar de Virgínia é desfeito, quando sua mãe Laura é internada num manicômio e de lá é resgatada pelo seu médico Daniel, criando entre os dois um laço amoroso. A primeira vista, Virgínia mora com eles por ser a menor da casa. Enquanto com seu pai Natércio, ficam a carola Bruna e a atrevida Otávia (minha personagem favorita).

Vivendo na pobreza com sua mãe e seu padrasto, Virgínia é levada por seu pai para morar na casa dele. Casa mais confortável. Porém, ela sente-se, desolada e não consegue se enquadrar em nenhum grupo. Nessa situação de total deslocamento, ela decide estudar num internato, voltando novamente para casa quando completa vinte anos. 

Dentro da casa com suas irmãs e seu pai, ela tenta a todo custo enquadra-se numa ciranda de pedra (Vamos, abra a roda que eu quero entrar - Virgínia conversando com os anões do jardim que formam uma ciranda) que está fechada para pessoas de fora. Tentando, sempre, despir-se da hipocrisia de sua irmã Bruna e não se contaminar com as leviandades de sua irmã Otávia.

Livro a frente de seu tempo. Lida com loucura, suicídio, abandono e homossexualidade de uma forma toda poética e lírica. Livro maravilhoso, bem escrito, bem editado e revisado pela própria autora. Pretendo ler mais coisas dessa mulher incrível.

E como diria Virgínia "E besouro que caí de costas não se levanta nunca mais".














2 comentários:

  1. Ai, adorei sua resenha!! Também li esse livro e adorei! Lygia Fagundes Telles sabia abordar temas polêmicos de maneira irônica e muito realista. =)
    Espero que leia ou tenha lido outros romances dela, indico muito As Horas Nuas.
    Bjs

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