Editoras que não prestam

Existem muitos autores por aí com histórias incríveis só esperando um momento para se publicarem. Postam no Wattpad, no Nyah e Spirit, além de buscar uma renda extra com publicações em sites como Amazon. Por mais que essas plataformas sejam maravilhosas, um sonho frequente é o de ter um livro físico, um livro que você vai poder tocar e que estará nas vitrines das maiores livrarias do país, terá noites com sessão de autógrafos, quem sabe um espaço na Bienal do Livro?


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No entanto, esse sonho pode acabar se tornando muito caro e virar um pesadelo. Infelizmente, existem pessoas e empresas que se aproveitam da ingenuidade de autores iniciantes e cobram valores altíssimos para fazerem suas publicações, e quando o autor percebe a merda na qual acabou de cair, é tarde demais.

O assunto que está rendendo é esse, as editoras que não prestam. Elas são tão inescrupulosas que pegam seus maiores desejos, te iludem dizendo que irão te dar o céu e as estrelas e depois desaparecem, deixando um rastro de destruição e caos. As discussões aconteceram em grupos de autores no facebook e muitos depoimentos foram dados. Leitores que reclamaram de edições mal feitas, blogueiros insatisfeitos com as parcerias propostas por essas editoras e autores que sofreram nas mãos deles. Sem mais delonga, segue a listinha com o nome das ditas:

Chiado, Arwen, AllPrin, Autografia, Multifoco, Spz - tribo das letras, selo jovem Novos Talentos, Pandorga, Buriti, Editora Em foco.


Vale destacar que essa não é a opinião da Um Remédio Chamado Ler, estamos apenas compartilhando as informações que chegaram até nós. Não iremos citar os nomes de quem deu os depoimentos, até porque foram centenas de comentários e queremos preservar a integridade das mesmas. Para garantir que não foi apenas um caso isolado, nos certificamos de conferir as acusações, procuramos no google e de fato, não é difícil achar reclamações sobre elas em sites como Reclame Aqui. Dentre os depoimentos, temos:



  • O contrato te deixa preso, te impede até de participar de antologias de outras editoras, o preço final do livro fica alto, não tem divulgação nem boa distribuição, as capas não são boas.
  • Faz várias promessas, faz o autor pagar e depois some. Não divulga o livro, não presta assessoria.
  • Descaso com o autor de todas as maneiras possíveis, além da edição do livro ser precária.
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A raiva de alguns era tão grande que eles não queriam mais saber de editora alguma, preferiam se lançar independente. Para quem não sabe, no mercado editorial brasileiro ou você arruma uma editora e paga a ela para que publique seus livros ou você se lança independente e arca com todos os custos sozinho. "Editora é praticamente tudo a mesma coisa: oportunistas de sonhos alheios, destruidoras de sonhos." , este foi um comentário que muitos apoiaram."É só uma gráfica disfarçada de editora, como muitas outras aqui no Brasil."

E agora eu falo algo que já aconteceu comigo, nada tão grave quanto o que já me contaram, mas que me serviu para reflexão: quando eu tinha meus 14/15 anos, queria lançar um livro físico e não ficar só online. Saí mandando originais para muitas editoras. Fui recusada por algumas, recebi proposta de outras. As que me aceitaram ficavam mandando mensagem maravilhosas, dizendo que minha obra era incrível, que isso e aquilo, prometeram muita coisa. Mas eu tinha que contribuir com os gastos e comprar uma parte da remessa dos livros, em torno de 500. Oi? Sabe o que é para uma adolescente dessa idade, que não tem dinheiro nem para comprar os livros dos seus autores favoritos que precisaria comprar 500 livros? Não tinha a menor condição, e quando avisei isso, eles sumiram e não me responderam mais. E meu caso ainda é suave, tem gente que assina os contratos, publica, sofre pra caramba e por isso acaba processando a editora.

Claro que agora eu tenho mais idade, dá para juntar dinheiro e conseguir essa publicação. Mas quero me certificar de que minha obra está boa, se está bem revisada, se tenho uma estratégia de marketing definida - até porque adquirir 500 unidades e depois sair vendendo não deve ser fácil.

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Tem muita editora que na verdade é gráfica disfarçada. Claro que não são todas, mas tem muitas que só querem ganhar dinheiro às custas do seu sonho. Pesquise sobre a editora, veja o alcance que ela tem, se acha lugar para comprar os livros dela. Converse com autores que publicaram com eles, mostre seu contrato para um advogado. Do que adianta ter um livro nas mãos sendo que ele será esquecido? Vendido apenas no site da editora, onde ninguém vê. Sério, vale mais partir pra publicação independente, pelo menos o lucro será todo seu. Entendo a ânsia de querer ser lido, ter destaque, mas isso tem um preço e não posso afirmar qual editora vai ser boa e qual será ruim. O que nos resta é preparação: quanto mais pesquisas fizer, melhor.

"Entre esses contratos em que você banca tudo e ainda deixa boa parte do valor das vendas para a editora, e publicação independente, fui de independente. Exige buscar profissionais e dá mais trabalho, mas acho que vale mais a pena." - depoimento de um dos autores.

Uma editora que permite que seu livro seja publicado sem nenhuma revisão pode ser considerada uma boa editora?

É obrigação da editora trabalhar no texto, é por isso que existe o editor. Revisão, preparação, copidesque, tudo isso é obrigatório. Uma editora que pega um manuscrito e publica do jeito que tá não é editora. É gráfica. Muitas reclamações foram feitas no quesito revisão: as editoras publicavam o livro cheio de erros, e o pior: erros que não estavam lá antes. Por que uma editora iria colocar erros a mais no livro? Para que o autor pague a mais pela revisão? Enquanto isso, o dono da tal editora dirige uma belíssima Ferrari, mas não tem capacidade para contratar editores de texto para seus mil livros publicados por ano.

Não desmereço o trabalho de editoras menores e que cobram pelo serviço. A gente sabe que a situação no país não é boa, nada vai vim de graça. E teve muitas editoras que foram muito bem recomendadas, como editora Sinna, Hope, Luva Editora, Livros Prontos, Skull, Estalo. E é bom formar o seu público para poder começar a pensar mais alto. Na dúvida assine contrato por obra, não vincule todo seu trabalho a uma editora.


Entre ir pela rua de satanás ou de uma dessas editoras, vai com a do diabo que é mais segura.

E se algum autor quiser serviço se revisão, procure a Letícia Godoy, foi super  indicada.


E fiz um podcast sobre o assunto, quem tiver interesse em assistir, está disponível:


E aí, já passaram por algo assim ou tem alguma história para compartilhar? Deixe nos comentários para que possamos ler. Abraços e até mais.

6 comentários :

  1. Meu Deus, a Em Foco é uma dessas caras de pau? Eu participei de um concurso de contos com elas e ganhei! Paguei 70 reais se não me engano pra receber três exemplares, ainda não recebi porque acho que eles ainda estão editando (recentemente pediram uma foto minha por email para incluir no livro, e quando colocarem a de todos os autores, enviarão para a diagramação).
    Espero não ter problemas com eles, porque eu realmente não quero ter que ir atrás de advogado por causa disso kkkk Sempre quis publicar um livro e estou começando com concursinhos pequenos e tal, é muito oportunismo da parte deles passar a perna nas pessoas assim.

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    1. Só reuni o que falaram, depoimentos e em sites de reclamação. Pode ser que não seja tão preto no branco, e com você possa dar certo. Meu alerta é: pesquise antes. Vale a pena arriscar? Não sei, depende de você, só não acredite em tudo o que falam, veja se tem contrato e leia direitinho.

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  2. Muito útil seu comentário. Parabéns!

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  3. Muito correta a sua informação, mas não podemos esquecer o quanto as grandes editoras contribuem para tanto, não aceitando novos autores, a não ser que você tenha um QI (quem indicou, para os leigos no assunto) ou algum contato poderoso dentro dessas empresas. São elitistas ao extremo da acepção da palavra.
    Algumas editoras "conceituadas" no mercado jogam tão sujo que somente aceitam receber o título da obra, uma sinopse mais do que "sinoptópica" (não resisti à invenção do termo) em um pequeno espaço incluído no site e os títulos dos capítulos. Quem pode avaliar um livro por causa disso? A coisa toda se torna tão nojenta e revoltante que você vê que quem escreveu um livro com capítulos sem título somente pode dispor da numeração deles e isso não significa nada, é claro, quanto ao conteúdo da obra. É uma maneira porca de tentar fazer bonito sem publicar ninguém fora dos quesitos que acima mencionei.
    Se você caiu em uma das editoras mencionadas no artigo desta página, faça valer os seus direitos. Eu fiz valer os meus e já adiantei algo, em uma espécie de barganha típica das melhores feiras verdureiras do Brasil, porque autor iniciante tem que ser muito macho neste país, mesmo sendo mulher, como eu. Não importa se você é filósofo, poeta ou escritor criativo, no Brasil uma batata equivale a uma batata, nada mais. Deixei a minha lírica no livro e arregacei as mangas no contexto do lugar comum das negociações, no que tange aos meus direitos como autora.
    Após isso, se os meliantes da editora ainda continuarem sem uma atitude correta, procure não somente o ReclameAqui, mas o PROCON e o Tribunal de Pequenas Causas. Algumas universidades, inclusive, prestam atendimento gratuito para a população. Se puder entrar com um bom advogado, vá em frente! Mas repito: não nos esqueçamos de que essa roubalheira foi promovida pela canalhice hipócrita de editoras de renome. A pequena grande caquinha vêm de longe no tempo e do alto no espaço cultural brasileiro.






    Outras levam um ano inteirinho para responderem sim ou não quanto à publicação. Ora, porque não contratam mais especialistas nas avaliações das obras?

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    1. Oi, Gene!

      Sim, a situação não se refere apenas as pequenas não, tem muitas editoras grandes que nossa...
      Nunca fui enganada e nunca passei por problemas, mas fiz o post por causa de discussões em um grupo de autores, onde a galera começou a dar seus depoimentos e reuni as informações

      Abraços e sucesso!

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